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AMAMENTAÇÃO na literatura: Milan Kundera

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC

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AMAMENTAÇÃO na literatura:

Milan Kundera

 

                                           É admirável ler escritores falando do aleitamento – nosso convidado de hoje é autor de vários livros, entre esse:

“A VIDA ESTÁ em OUTRO LUGAR” onde retiramos esse trecho. Incrível que mesmo sendo homem ele consegue descrever sentimentos e sensações físicas e psíquicas de uma nutriz. E notável como a amamentação é capaz de empoderar uma mulher... Recomendamos leitura.  

PS: caso encontrem na literatura casos semelhantes nos envie por favor.

Prof. Marcus Renato de Carvalho

 

                                 .... Após o parto, o corpo da mãe entrou em uma nova fase. Quando ela sentiu pela primeira vez a boca de seu filho tateando para tentar sugar seu seio, um suave arrepio explodiu no meio do seu peito irradiando por todo o corpo raios estremecedores; aquilo parecia a carícia de um amante, mas havia alguma coisa a mais: uma grande felicidade tranquila, uma grande tranquilidade feliz. Aquilo ela jamais conhecera antes; quando o amante beijava-lhe o seio era um instante que precisaria resgatar horas de dúvidas e desconfiança; mas agora sabia que a boca que se comprimia contra seu seio trazia-lhe a prova de uma ligação ininterrupta da qual podia estar segura.

      Havia mais outra coisa ainda; quando o amante tocava o seu corpo desnudo, ela sempre experimentava um sentimento de pudor; a aproximação mútua era sempre o excedente de uma alteridade e o instante do abraço só era inebriante porque não era mais que um instante. O pudor nunca diminuía, tornava o amor exaltante, mas ao mesmo tempo vigiava o corpo, temendo que se abandonasse por inteiro. Mas desta vez o pudor desaparecera; estava abolido. Os dois corpos abriam-se inteiramente um ao outro e não tinham nada para se esconder.

     Jamais ela se abandonara de tal forma a um outro corpo, e jamais um outro corpo se abandonara de tal forma a ela. O amante podia gozar de seu ventre, mas nunca o habitara, podia tocar o seu seio, mas nunca bebera dele.

Ah a amamentação! Ela observava com amor os movimentos de peixe da boca sem dentes e imaginava que seu filho bebia, junto com leite, os seus pensamentos, as suas fantasias e os seus sonhos.

Era um estado edênico: o corpo podia ser plenamente corpo e não precisava esconder-se atrás de uma folha de parreira: estavam mergulhados no espaço ilimitado de um tempo sereno; viviam juntos como viviam Adão e Eva antes de morderem a maça da árvore do conhecimento; viviam em seu corpo fora do bem e do mal; e não apenas isso: no Paraíso a feiura não se distingue da beleza, de maneira que todas as coisas de que se compõe o corpo não eram para eles nem feias nem bonitas, mas apenas deliciosas; deliciosas gengivas, apesar de não terem dentes, delicioso era o seio, delicioso era o umbigo, delicioso era o traseirinho...

Aquilo era uma coisa absolutamente nova para a mãe já que, desde a infância, sentira uma extrema repugnância para com a animalidade, tanto a dos outros quanto a sua própria...

E eis que, estranhamente, a animalidade de seu filho, elevada acima de qualquer feiura, purificava e justificava, a seus olhos, o seu próprio corpo.

Quando restava uma gotinha de leite sobre a pele enrugada de sua mama parecia-lhe tão poética quanto uma pérola de orvalho; acontecia-lhe com frequência tomar um dos seios e apertá-lo levemente para observar a gota mágica; recolhi-a sobre o dedo indicador e provava-a; dizia que queria conhecer o sabor da bebida com que alimentava seu filho, mas na verdade queria conhecer o gosto do próprio corpo; e como o seu leite lhe parecesse deleitável, aquele sabor reconciliava-a com todos os seus outros sucos e com todos os seus humores; ela mesma começava a sentir-se deleitável, seu corpo parecia-lhe agradável, natural e bom como todas as coisas da natureza, como a árvore, como a moita, como a água.

...

 

 


Última atualização: 1/7/2015

 

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