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The Lancet: BRASIL avançou nas políticas de ALEITAMENTO

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC, UFRJ

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The Lancet reconhece avanços do Brasil nas

Políticas de ALEITAMENTO MATERNO

 

Dr. Cesar Victora foi o coordenador da pesquisa e conferencista principal do Simpósio sobre os Avanços e Desafios da Política Nacional de Aleitamento.

 

É o que mostra nova série sobre amamentação da revista The Lancet lançada ontem na sede da OPAS/OMS em Brasília que analisou dados de 153 países

 

                        Nesta quarta-feira, 2 de março, a política brasileira de aleitamento materno recebeu reconhecimento especial da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e da revista científica britânica por ser referência mundial em aleitamento. Em Simpósio realizado na sede da OPAS em Brasília, a coordenadora da instituição, Haydeé Padilha, entregou uma homenagem ao Ministro da Saúde.

“Esse estudo da Lancet, uma das mais conceituadas publicações mundiais em saúde, é um reconhecimento pelo trabalho do Brasil durante todas essas décadas”, afirmou Castro durante o evento.

Também presente na solenidade, o Secretário de Assistência à Saúde do Ministério, Alberto Beltrame, lembrou que as conquistas são resultado de um esforço coletivo de todos.

“É importante dizer que que esse não é o esforço de um governo, de um ente ou do Ministério da Saúde, mas é o esforço de todos e de uma política de estado que foi avançada pelo Brasil desde 1981”, disse Beltrame.

Também estiveram presentes vários representantes da sociedade civil e Ongs, como UNICEF, IBFAN, Sociedade Brasileira de Pediatria, Corpo de Bombeiros do DF, representantes da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, Rede Nacional Primeira Infância, Pastoral da Criança, membros do Comitê Nacional de Aleitamento do Ministério da Saúde, Especialistas, ...

A publicação científica destaca os avanços do Brasil em amamentação. Considerado o mais abrangente estudo comparativo já publicado na área, a série analisou dados de aleitamento de 153 países. O Brasil aparece em posição de destaque em relação a outras nações como a China, Estados Unidos e Reino Unido. De acordo com a série, as crianças brasileiras eram amamentadas por 2,5 meses em média em 1974. Em 2006, esse número subiu para 14 meses. Em 1986, apenas 2% das crianças de até 6 meses recebiam exclusivamente leite materno. Em 2006, essa taxa saltou para 39%. Ao contrário do Brasil, a China teve redução de 5%.

 A série mostra que as brasileiras amamentam mais que as britânicas, americanas e chinesas. A taxa de amamentação exclusiva aos 6 meses no Brasil é de 39%, a dos EUA 19%, Reino Unido 1% e a da China de 28%.

“Quando analisamos as políticas nacionais de promoção e proteção ao aleitamento no mundo inteiro, o Brasil se destacou”, afirmou o epidemiologista Cesar Victora*, autor da série da Lancet e que apresentou os dados. “O Brasil foi o país que mais chamou atenção de todos nós por ter tomado tantas medidas importantes e complementares em diversas áreas, todas elas direcionadas à promoção, proteção e apoio ao aleitamento”.

De acordo com a The Lancet, a evolução das taxas de aleitamento no Brasil se deve a suas políticas. O documento cita a recente regulamentação, em novembro, da lei (NBCAL) de 2006 que limita a comercialização de substitutos do leite materno, a licença maternidade de até 6 meses nas Empresas Cidadãs, a certificação dos Hospitais Amigos da Criança – o que assegura padrões de qualidade e treinamento constante de profissionais de saúde voltados ao aleitamento – e uma inovadora rede de bancos de leite humano em mais de 200 hospitais que garantiram a amamentação como prática.

“Clara liderança governamental, investimentos e uma ativa participação da sociedade civil sustentam as conquistas brasileiras na área de amamentação”, afirma o estudo.

 

Como o Brasil aparece na série da The Lancet

Artigo 1: Amamentação no Século 21: epidemiologia, mecanismos e efeitos ao longo da vida

(O texto mostra a importância da amamentação para países de renda baixa, média e alta)

A experiência no aleitamento é destacada na publicação, que compara o progresso brasileiro frente aos EUA, Reino Unido e China. Entre os avanços, inclui-se:

  • Em 1974-1975, as crianças brasileiras eram amamentadas por 2,5 meses em média. Em 2006-2007, essa média subiu para 14 meses.
  • Em 1986, 2% das crianças de até 6 meses eram alimentadas exclusivamente com leite materno. Em 2006, esse número saltou para 39%[1]
  • De acordo com o Relatório “Estado Mundial da Infância 2015” da UNICEF, no Brasil:

o   68% das crianças são amamentadas dentro da primeira hora após o nascimento

o   50% das crianças continuam sendo amamentadas até um ano de idade; e

o   25% das crianças são amamentadas até os dois anos de idade.[2]

 

Artigo 2: Por que investir e o que é necessário para melhorar a prática do aleitamento?

(Mostra os benefícios econômicos da amamentação e as políticas necessárias para eliminar as barreiras à amamentação)

A Série da The Lancet aponta que as mulheres são 2,5 vezes mais propensas a amamentar se a prática é protegida, promovida e apoiada. De acordo com o estudo, os esforços brasileiros estão alinhados com as intervenções identificadas pelo relatório como prioritárias, o que inclui:

  • Regulação da comercialização de substitutos ao leite materno: por meio de leis nacionais e rigoroso monitoramento para assegurar que o marketing desses produtos não desencoraje a amamentação.
  • Política de licença maternidade remunerada entre 4 - 6 meses de duração: que possibilite às mães um tempo livre do trabalho para que cuidem de seus bebês e os amamentem até a duração recomendada pela OMS e pelas evidências científicas.
  • Hospitais Amigos da Criança: o que assegura padrões de qualidade e treinamento constante de profissionais de saúde orientados a incentivar o aleitamento materno.
  • Rede de Bancos de Leite Humano: presentes em mais de 200 hospitais, eles promovem e incentivam a prática do aleitamento.
  • Demonstração de vontade política: no governo e sociedade civil para priorizar investimento de tempo e recursos em amamentação.

 

*Cesar Victora é Professor Emérito de Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas, onde foi admitido em 1977 após graduar-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em 1983, obteve o título de PhD em Epidemiologia da Assistência Médica pela Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres. Realizou extensas pesquisas em diversos estados brasileiros, havendo atuado como como pesquisador ou consultor em mais de 40 países, assessorando a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF.

Suas pesquisas incluem as áreas de saúde e nutrição materno-infantil, amamentação, coortes de nascimento, desigualdades sociais e avaliação de serviços de saúde, tendo resultado em mais de 550 publicações científicas com mais de 17.000 citações no Web of Science (índice H = 67). Suas principais contribuições científicas incluem a documentação da importância do aleitamento materno exclusivo para prevenir a mortalidade infantil e a construção de curvas de crescimento infantil atualmente adotadas em mais de 140 países. Com o estudo de seis mil crianças pelotenses, acompanhadas desde o seu nascimento em 1982 até os 30 anos de vida, contribuiu para estabelecer o papel crítico da nutrição durante os primeiros mil dias (entre a concepção e o segundo aniversário) para a saúde e o capital humano na vida adulta. Em 1991, foi co-fundador do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel, que atualmente tem conceito máximo (grau sete) conforme a CAPES.

Já orientou 19 mestres e 15 doutores, dois dos quais venceram o Prêmio CAPES de Teses em 2010 e 2013. Em 2003, coordenou a Série de Sobrevivência Infantil Lancet/Bellagio, um conjunto de cinco artigos científicos com grande impacto sobre as políticas globais. Atua ainda como pesquisador nível 1-A do CNPq, Professor Visitante das Universidades de Oxford, Londres e Johns Hopkins e Membro do Conselho Editorial de várias revistas, inclusive The Lancet. Recebeu o Prêmio Conrado Wessel de Medicina em 2005 e o Prêmio Scopus/CAPES por produtividade científica em 2006, sendo eleito neste ano para a Academia Brasileira de Ciências e indicado para a Comissão Nacional de Determinantes Sociais em Saúde.

Em 2008 recebeu o Prêmio Abraham Horwitz para Liderança em Saúde Interamericana, da OPAS, havendo também sido agraciado com o grau de Comendador da Ordens Nacionais do Mérito Científico (2008) e da Ordem Nacional do Mérito Médico (2010). Em 2011, recebeu o Prêmio Global de Pesquisa Pediátrica em Denver (USA). Em 2013, recebeu o Wellcome Trust Senior Investigator Award, com financiamento de sete anos para criar um Observatório Global de Desigualdades em Saúde Materno-Infantil. Foi presidente da Associação Epidemiológica Internacional (período de 2011-14).

 

O www.aleitamento.com esteve presente e transmitiu pílulas de conteúdo

para as redes sociais.



[1] Global Nutrition Report. Brazil, Country Profile, 2015.  //ebrary.ifpri.org/utils/getfile/collection/p15738coll2/id/129817/filename/130028.pdf


Última atualização: 3/3/2016

 

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