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Amamentação cruzada: NÃO! Doação de leite: SIM!

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC, UFRJ

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Amamentação cruzada: NÃO!

Doação de leite: SIM!

 

Entrevistas promovidas pelo HU da UFRJ esclarecem porque uma NUTRIZ não pode amamentar o filho de outra mulher

                

            No mês passado abordamos a questão da "amamentação cruzada" através de um post que cita a Portaria n° 1.016, de 26 de agosto de 1993. Escolhemos falar sobre esta norma do Ministério da Saúde (MS) por sermos uma unidade hospitalar que segue as normas estabelecidas. Se a postagem tivesse todas as dúvidas respondidas não teria espaço para o debate, pois a Rede Social é um lugar para promover este tipo de interação. Os comentários gerados ali foram enriquecedores para a construção do conteúdo que segue.

Contraindicada formalmente pelo MS e Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação cruzada - como é conhecida a prática das “mães de leite” ou “amas de leite” que dão o peito aos filhos de outras mulheres que apresentam alguma dificuldade com o aleitamento - põe em risco a saúde do bebê e é proibida nas maternidades e demais estabelecimentos de atenção à saúde. O leite ofertado direto do peito é diferente do leite doado em Bancos de leite humano, este sim, só traz benefícios - para quem doa e para quem recebe - porque passa por um rigoroso controle de qualidade, além da pasteurização. 


Selecionamos os comentários com as dúvidas mais pertinentes sobre o tema e respondemos aqui, com o respaldo dos nossos profissionais, o Prof. Marcus Renato de Carvalho¹, Docente da Faculdade de Medicina da UFRJ atuando no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ) e a Profa. Rosane Pecorari², fonoaudióloga do Serviço de Fonoaudiologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ).

Quais são os perigos da amamentação cruzada?

    • Pediatra respondeOferece risco de transmissão de doenças infectocontagiosas, como o HIV/AIDS, sobretudo para as crianças. Mulheres que dão o peito para filhos de outras mães também podem ser contaminadas.
    • Fonoaudióloga respondeHá o risco de contaminação de várias doenças que passam através do leite materno, do leite cru ordenhado e no contato com sangue na presença de lesões mamilares. Há também o risco de passagem de medicações que contraindicam o aleitamento.

O que a mãe deve fazer caso não consiga amamentar (ou não possa por ter HIV ou HTLV)?

    • Pediatra respondeReceber orientação específica e apoio de profissionais de saúde especializados, e NÃO amamentar seus filhos.
    • Fonoaudióloga respondeNo caso de não conseguir amamentar é importante compreendermos os motivos da dificuldade, considerando as especificidades de cada caso, estas mães deverão procurar a unidade de saúde onde teve o filho, ou o médico responsável pelo acompanhamento. No caso de impedimento deverão seguir as orientações das equipes de saúde realizadas no momento da alta hospitalar.

Qual a diferença do leite do Banco de leite para o leite ordenhado no domicílio?

    • Pediatra respondeNo Banco de Leite Humano o leite materno é pasteurizado e analisado com toda a segurança para ser dado para recém-nascidos prematuros e/ou de baixo peso que estão internados em UTIs. É seguro e benéfico para as nutrizes (ou lactantes) doarem seu leite e receberem gratuitamente leite humano nos Bancos de Leite brasileiros.
    • Fonoaudióloga responde: O leite do Banco de leite é tratado tornando-se isento de transmissão de doenças, o que não ocorre com o leite direto do peito ou ordenhado.

Qual o conselho que você dá às mães que estão com dificuldade de amamentar?

    • Pediatra respondeProcure ajuda de quem entende. Há profissionais especializados, com certificação internacional. Há também Hospitais Amigos da Criança, Unidades Básicas Amigas da Amamentação, Bancos de Leite Humano, portais na internet atualizados como o www.aleitamento.com.
    • Fonoaudióloga respondeBuscar ajuda junto ao pediatra ou a unidade onde teve o seu filho. Caso não consiga nenhum auxílio, pode procurar um Banco de Leite Humano (BLH) para as devidas orientações.

Há um medo nas mães do leite ser fraco. Isso pode acontecer?

    • Pediatra respondeNão existe leite fraco ou pouco leite, o que há é falta de apoio e informação. Até uma mãe desnutrida produz um leite de qualidade para seu bebê. A amamentação na espécie humana não é ato instintivo, a mulher e seu companheiro(a) devem se preparar e aprender que há técnicas de aleitamento materno que propiciam uma amamentação prazerosa, sem dor, sem rachaduras... Vale a pena investir em procurar informações atualizadas.
    • Fonoaudióloga respondeO leite fraco é um fator cultural, chegando até a ser um mito, pois sabe-se que a grande maioria das mulheres tem leite suficiente para sustentar a criança. Tal percepção, um tanto quanto errônea, pode estar vinculada ao desconhecimento das mães quanto à importância do seu leite, sobre como o leite materno é produzido em seu corpo e ao fato de relacionarem o choro do bebê à carência de alimento, o que nem sempre é verdadeiro.

Quais são os outros benefícios da amamentação, além de evitar doenças?

    • Pediatra responde: Propicia maior desenvolvimento neuropsicomotor, maior QI, melhor desenvolvimento da face com menos problemas fonoaudiológicos e ortodônticos e protege até a idade adulta contra doenças crônico-degenerativas, como Obesidade, Diabetes, Hipertensão, além de menos chances de vários tipos de câncer.
    • Fonoaudióloga respondeO aleitamento materno além de fortalecer a imunidade, favorece o crescimento e desenvolvimento normais, melhora o processo digestivo, favorece o vínculo mãe-filho e facilita o desenvolvimento emocional, cognitivo e do sistema nervoso. A amamentação também beneficia a saúde da mulher, sendo um fator protetor para patologias como o câncer de mama, cânceres ovarianos e fraturas ósseas por osteoporose, proporciona uma involução uterina mais rápida devido à liberação de ocitocina.

A prática de ser "Mãe de leite" não deve ser incentivada. Se uma mãe tem dificuldades de amamentar ela deve ser encaminhada a um Banco de leite, onde profissionais capacitadas vão ajudá-la. E se, nos poucos casos em que a amamentação realmente não for possível, o leite doado de forma adequada pode ser utilizado.

¹Pediatra - Dr. Marcus Renato de Carvalho
Médico graduado pela UFRJ. Docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina - UFRJ. Especialista em Amamentação pelo Wellstart International Lactation Management (1994) e pelo International Board Certified Lactation Consultant desde 2001 com re-certificação até 2019. Editor do Portal www.aleitamento.com desde 1996. Organizador do livro "Amamentação - bases científicas" 4a. ed. 2017 pela Editora GEN.
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²Fonoaudióloga - Professora Rosane Pecorari
Possui graduação em Fonoaudiologia pela Universidade Católica de Petrópolis (1979) e Mestrado em Ciências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2012). Atualmente é professora assistente do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de Fonoaudiologia, com ênfase em avaliação e terapêutica dos transtornos da deglutição, desenvolvimento infantil e disfunção neuromotora.

 

 

 


Última atualização: 17/4/2018

 

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