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PREMATUROS APROVAM CALOR MATERNO

Por: Enf. Emely Custódio de Sousa, UnB

Prematuros aprovam calor materno

Pesquisa da UnB com mães que adotam método Canguru mostra que a técnica acelera a recuperação dos bebês e estreita a ligação afetiva

Ser impedida de ficar com o filho prematuro no colo logo depois que ele nasce é uma das grandes tristezas para a mãe. Afinal, alia-se à preocupação de uma gestação que não ultrapassou as 37 semanas – considerado recém-nascido no prazo normal, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) – a frustração de só acompanhar o bebê de longe, acolhido na incubadora. É por esse motivo que, em entrevista com 15 mães que participaram do método Canguru em hospitais de Brasília, a aluna do Departamento de Enfermagem da Universidade de Brasília (UnB) Emely Custódio de Sousa, 24 anos, verificou 100% de aprovação. A forma inovadora de diminuir a agressividade do meio ao prematuro consiste em alternar períodos na incubadora ou no berço aquecido com contatos pele a pele da mãe com o recém-nascido de baixo peso.

Os cangurus completam seu crescimento, depois que nascem, em uma bolsa que fica na barriga da mãe. O mesmo princípio é adaptado para mulheres em hospitais do mundo inteiro, inclusive no Brasil. Em Brasília, vários centros começam a utilizar o método, mas, para desenvolver a pesquisa qualitativa, Emely se restringiu a duas unidades: o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB). A estudante, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), foi orientada pela professora, Ivone Kamada, atual coordenadora do Departamento de Enfermagem.

De julho de 2002 a julho de 2003, 15 mães responderam a questões sobre suas impressões no relacionamento com o bebê, vontade de desistir, inseguranças e dificuldades na atividade de mãe-canguru. A maioria morava em cidades satélites (13), era jovem, entre 14 e 20 anos (sete), casada (nove), com ensino médio completo (oito), era dona-de-casa (13) e passava por sua primeira gestação (10), que, na média, levou de 28 a 33 semanas. Prematuros, os bebês eram pequenos, de 2 kg ou menos. Isso explica a sensação de algumas mães, no princípio, de que poderiam “quebrar” a criança.

A insegurança inicial, entretanto, foi compensada pela tranqüilidade de acompanhar de perto a melhora do recém-nascido, recebendo orientações e participando do tratamento. Mesmo que esteja ligado a algum aparelho, como respirador, o bebê pode participar do método, desde que o hospital tenha equipe preparada para isso. Algumas unidades os enfaixam junto à mãe para que fiquem bem presos. “Elas ficam muito contentes por não terem de ficar separadas das crianças, o que as deixa muito assustadas”, conta Emely, que acaba de passar em 2º lugar para a residência em enfermagem Neonatal de um hospital de Brasília onde a técnica também é usada.

Como a criança prematura não está madura o suficiente para ser capaz de manter sua temperatura, deve receber calor externo o tempo todo. No colo da mãe, além disso, podem ser desenvolvidas outras atividades, como o aleitamento, se o bebê tiver sucção desenvolvida. No colo, as mães acham que os bebês mamam melhor, engordando mais rápido. Ficando no hospital enquanto a criança não recebe alta, a mãe também participa de sua higiene, orientada pelas enfermeiras. Isso aumenta a ligação entre os dois, de forma que muitas percebem que seus filhos começam a reconhecê-las, mudando de fisionomia quando estão em contato.

A dificuldade apontada pelas 15 mães foi o longo período de estadia no hospital, já que a criança precisa estar bem para receber alta. Mas o método canguru é opcional. As mães são estimuladas a participar dele, por meio de conversas e orientações, atentando para a eficiência na recuperação. “A literatura especializada na área aponta que a alta é mais rápida com o método canguru porque a criança se desenvolve melhor”, conta Ivone. Provar a eficiência do método na recuperação da criança não era, entretanto, o objetivo de Emely, mas sim registrar as impressões e sentimentos das mães que participaram dele.

Ao contrário do que acontece com muitas mães de prematuros, as pesquisadas não se sentiram culpadas pelo estado do bebê. Para que o método canguru seja possível, entretanto, o hospital deve ter estrutura para receber a mãe durante as 24 horas em que permanece com o filho, com ambiente para dormir, tomar banho, além de receber alimentação. Uma poltrona confortável para a mãe ficar com a criança também é necessária. Um Grupo de Trabalho no Ministério da Saúde (MS) discute a implementação nos hospitais de todo o país e enfermeiros visitam unidades de referência para aprender com quem já usa o método.

O primeiro país a usar o método Canguru foi a Colômbia, em 1979, na tentativa de diminuir a mortalidade infantil depois do nascimento. A técnica deveria permitir alta mais rápida, com menor risco de infecção hospitalar e menos gastos para o governo. Os resultados concretos não foram tão altos quanto os esperados, mas, em termos afetivos, o vínculo entre mãe e filho foi aumentado significativamente. Quem trouxe a idéia para o Brasil foi o professor do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcus Renato de Carvalho. No Hospital Universitário de Brasília (HUB), começou-se a pensar em sua aplicação no ano de 1999, quando a enfermeira Maria Tereza Branco e o neonatologista Antônio José Duarte participaram da regulamentação do método no Ministério da Saúde e, mais tarde, Maria Tereza encontrou-se com Carvalho, no Rio de Janeiro. No HUB, a maioria das mães de prematuros aceita participar do método, que já funciona há quatro anos.

CONTATO
Professora Ivone Kamada pelos telefones (61) 307 2115, (61) 273 3807 e (61) 340 0205.
Enfermeira Emely Custódio pelos telefones (61) 3034 3068 e (61) 9971 2863.
Enfermeira Maria Tereza Branco pelos telefones (61) 448 5502 ou 448 5585.

 

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Nota do Prof. Marcus Renato de Carvalho:

No Brasil, a equipe de pediatria do Hospital "Guilherme Álvaro", na cidade de Santos, litoral paulista, foi pioneira na implantação do MÉTODO MÃE-CANGURU em 1991.  Depois, o IMIP, em Recife, PE em 1994 implantou também, acumulando a maior experiência nesta revolucionária forma de cuidado dos prematuros


Última atualização: 5/7/2011

 

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